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Notícias
Encontro com o muralista Hector Duarte
Junho 03 2026
Por Kaliah Lefever e Kenny May
Quase todas as paredes pareciam contar uma história enquanto caminhávamos pelas ruas de Pilsen com nosso guia, Luis Tubens. Luis nos apresentou ao movimento muralista mexicano enquanto nos guiava pelos murais coloridos do bairro, muitos dos quais narram histórias de imigração e orgulho cultural.
O movimento muralista mexicano foi liderado por “Los Tres Grandes”, Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, no início da década de 1920. Como Luis explicou, o movimento visava tornar a arte acessível às pessoas comuns, levando-a dos museus, que só os ricos podiam frequentar, para espaços públicos onde pudesse inspirar a comunidade. Os muralistas faziam uma declaração ao pintar diretamente em espaços públicos. Localizado no Lower West Side de Chicago, o bairro de Pilsen foi originalmente povoado por imigrantes boêmios antes de se tornar lar de muitos siderúrgicos mexicanos e famílias de imigrantes, muitos dos quais foram posteriormente empurrados para o oeste devido ao deslocamento forçado e à gentrificação.
No momento mais memorável da nossa visita guiada, tivemos uma surpresa especial quando o próprio artista Hector Duarte saiu para esperar outro grupo. Enquanto admirávamos "Gulliver no País das Maravilhas", o mural que ocupa a lateral da casa e do estúdio de Duarte, tivemos a sorte de poder fazer perguntas e obter respostas diretamente da fonte. Fomos informados de que essa foi a primeira vez que a Chicago SST realizou esse evento, o que tornou o momento ainda mais especial para todos nós. Duarte falou em espanhol, enquanto nosso guia Luis traduzia, e brincou dizendo que falar dois idiomas fazia alguém valer o dobro (mesmo falando apenas um).
Hector Duarte nasceu e foi educado no México antes de se mudar para Chicago, onde se tornou uma figura importante na cena artística de Pilsen. Seu trabalho se concentra fortemente em temas de imigração, cultura e justiça social, e ele estudou pintura mural na oficina do já mencionado David Alfaro Siqueiros, um dos "pais fundadores" do muralismo. O título "Gulliver no País das Maravilhas" é baseado no romance. As Viagens de Gulliver Por Jonathan Swift. Duarte explicou-nos que a inspiração surgiu da ideia de Gulliver, que é temido por ser diferente. Uma versão latina do personagem é retratada, usando uma máscara do Dia dos Mortos, um motivo para representar aqueles que já partiram. Arame farpado prende o homem, simbolizando a opressão que os imigrantes enfrentam.
Um momento que nos marcou foi quando Duarte explicou que ser mexicano-americano lhe dava “duas lentes para ver o mundo”. Isso me fez [Kaliah Lefever] refletir sobre minha identidade como afro-americana e remete ao conceito de “dupla consciência” de W.E.B. Du Bois, o conflito psicológico interno causado por carregar as identidades de americano e negro. Duarte também fez questão de nos dizer que seu trabalho não se destina apenas ao público mexicano, mas a todos os imigrantes que perderam seus lares e seus idiomas — ou que ainda lutam para preservá-los.
Legendas das fotos:
- Mural de um pássaro, figura significativa e simbólica que "transcende dimensões".
- Nossa turma do programa "De Chicago à Região Amish" posando com Hector Duarte (à extrema direita) em frente ao seu mural "Gulliver no País das Maravilhas". A obra retrata a luta dos imigrantes mexicanos para os Estados Unidos.
- "Lutar para Ficar" – Pintura de Hector Duarte e Gabrielle Villa, de 2022, que retrata a luta dos mexicanos para permanecerem em sua região/América.





